Tailândia

Adolescente assassina avós antes de seguir para escola e matar outras cinco pessoas na Tailândia

Mais de 30 pessoas ficaram feridas, das quais nove permanecem em estado grave, segundo autoridades.
Parentes de professor morto por disparos em escola são encaminhados para ambulância no distrito de Bang Kruai, na Tailândia
Parentes de professor morto por disparos em escola são encaminhados para ambulância no distrito de Bang Kruai, na Tailândia.

Um adolescente que teria 14 anos exibiu uma arma de fogo em sua conta no Instagram durante o Songkran, o Ano-Novo tailandês, celebrado todo mês de abril. Nesta sexta-feira, segundo as autoridades tailandesas, ele usou a mesma arma — que pertencia ao seu avô — para matar sete pessoas e se suicidar posteriormente, em um ataque que reacendeu imediatamente o debate sobre as leis de controle de armas no país.

O garoto, cujo nome não foi divulgado por ele ser menor de idade, matou o avô e a avó, com quem morava, na manhã desta sexta. Em seguida, dirigiu-se à sua escola de ensino médio, a Debsirin Nonthaburi School, na província de Nonthaburi, a noroeste de Bangcoc, e matou cinco professores.

As autoridades haviam informado inicialmente que oito pessoas morreram, mas revisaram o número de vítimas para sete. Segundo o primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul, o adolescente havia “planejado claramente” o ataque. O premier afirmou ainda que o estudante se sentia sob pressão — há informações de que a avó, uma professora aposentada, costumava ser rigorosa por querer que ele tivesse um bom desempenho escolar. Mais de 30 pessoas ficaram feridas, das quais nove permanecem em estado grave, segundo Anutin.

— De alguma forma, não sabemos como, essa criança teve acesso à arma — disse Anutin, acrescentando que havia registro do armamento junto às autoridades. — Nunca deveria ter acontecido. Como pôde isso acontecer em nosso país?

Em um vídeo do ataque publicado nas redes sociais — cuja autenticidade foi confirmada pelo The New York Times —, é possível ouvir pelo menos oito disparos em um intervalo de um minuto, enquanto alunos se abaixavam sob as mesas em uma sala de aula.

O atirador ainda estava na escola quando a polícia e as equipes de socorro começaram a chegar. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Fotos divulgadas pela imprensa local o mostram usando uniforme escolar roxo e uma bolsa preta a tiracolo. Também é possível ver cápsulas de munição espalhadas pelo chão.

A Tailândia, que tem 10 milhões de armas em circulação e uma das taxas mais altas de posse de armas por civis no Sudeste Asiático (uma para cada sete habitantes), registrou nos últimos anos várias chacinas de grande repercussão, o que impulsionou apelos por controles mais rigorosos de armas de fogo no país. Em fevereiro, a polícia prendeu um adolescente que abriu fogo em uma escola no sul da Tailândia, matando o diretor e ferindo dois estudantes. Em 2022, um ex-policial invadiu uma creche no norte do país armado com uma pistola e uma faca e matou 24 crianças e 12 adultos, em um dos ataques mais letais da História da Tailândia.

Muitas armas são vendidas por autoridades governamentais ou polícias, que têm permissão para comprar do governo quantas armas quiserem, com descontos expressivos. Como resultado, prospera um mercado negro de armas de fogo, impulsionado pelo contrabando entre Mianmar e a Tailândia. Embora a Tailândia possua diversas leis sobre armas, especialistas afirmam que a falta de fiscalização pode torná-las ineficazes.

— A lei é clara — disse Anutin. — O público em geral, aqueles que não exercem funções governamentais ou oficiais, não tem permissão para portar armas fora de casa.

O primeiro-ministro afirmou que apresentaria uma nova lei de controle de armas, mas não forneceu detalhes específicos.

— Quando assumi o cargo de primeiro-ministro, uma das minhas prioridades era promulgar uma nova lei sobre armas, e esse processo ainda está em andamento — disse ele.

Estudantes relatam pânico
A aluna Pawarisa Maylissa contou que ouviu diversos disparos vindos do andar superior do prédio.

— Ouvi muitos tiros, muito altos, porque parecia que o atirador estava justamente no andar de cima. Eu conseguia até ouvir o barulho do metal com as cápsulas batendo no chão — afirmou. — Eu tive medo de morrer e de não realizar meus sonhos.

O também estudante Purin Khumchoo, de 17 anos, afirmou que escapou por pouco dos disparos e disse que colegas conheciam o adolescente.

— Era um garoto perturbado. Meu grupo de amigos, que o conhecia, dizia que ele se interessava pelo FBI e por armas, e que muitos outros alunos o assediavam — relatou. — Quando vi que ele apontava a arma para mim, pensei que parecia muito profissional, como se estivesse treinando havia muito tempo.

Segundo a vice-ministra do Interior, Polapee Suwunchwee, 15 alunos sofreram ferimentos ao tentar fugir da escola.

— Vi milhares de alunos correndo. Alguns nem sequer estavam calçados — contou o mototaxista Thongchai Thanakat, que trabalha há duas décadas em frente ao colégio. — Sinto-me muito mal por um aluno cujo corpo vi depois que ele foi atingido em cheio na cabeça. É realmente triste.

Após o ataque, os pais correram até a escola para buscar os filhos, enquanto alunos e funcionários deixavam o prédio e tentavam confortar uns aos outros.

Fonte: Jornal O Globo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *