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Após operação da PF em gabinete, deputado de SP diz ser perseguido por fazer críticas a ministros do STF: ‘posso criticar quem eu quiser’

O deputado Douglas Garcia (PSL) usou as redes sociais para comentar a apreensão de computadores de seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo, feita por agentes da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (27).

O gabinete de Garcia é um dos alvos de operação da PF no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre fake news. O deputado Gil Diniz (PSL) também é alvo e deve ser ouvido na investigação.

Em um vídeo publicado em sua conta no Twitter nesta manhã, o parlamentar diz ser alvo de perseguição e alega que está sendo investigado apenas por fazer críticas a ministros do Supremo.

“De acordo com o tuíte da própria Polícia Federal estamos sendo investigados por ataques, crimes, alguma coisa relacionado aí, críticas aos ministro do Supremo Tribunal Federal. Ora, eu sou um deputado, fui eleito para parlar, sou um parlamentar, através da prerrogativa que a Constituição me dá. Em opiniões, palavras e votos, posso criticar quem eu quiser”, afirmou.

Em nota, a presidência da Alesp afirmou, por volta das 9h40, que desde as 6h desta terça-feira (27), dois delegados da Polícia Federal estão na Assembleia Legislativa de São Paulo para cumprir um mandato de busca de apreensão no gabinete do deputado estadual Douglas Garcia (PSL). “No momento eles aguardam que a porta do gabinete seja aberta por algum funcionário para cumprirem o mandato”.

Histórico do inquérito

As investigações tramitam em sigilo e apuram informações levantadas pela equipe designada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito, sobre suspeitos de terem atacado a honra ou tentado ameaçar ministros.

O inquérito criminal para apurar “notícias fraudulentas”, ofensas e ameaças que “atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares” foi aberto em março de 2019 pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, sem um pedido de autoridades policiais ou procuradores e sem a participação do Ministério Público.

No vídeo, o deputado fez críticas à Policia Federal e disse não ser diretamente prejudicado pela retirada dos equipamentos de seu gabinete.

“Agora, esse nível de investigação apequena a Polícia Federal porque o Supremo está usando do seu poder para perseguir aqueles que são conservadores, aqueles que têm liberdade de expressão, é isso que vocês querem fazer, querem calar a voz dos conservadores através das redes sociais, essa perseguição danada que vocês estão fazendo”

“Podem levar, levem computadores, levem tudo, afinal os computadores que estão levando é da Assembleia, é patrimônio público, eu não tô levando prejuízo nenhum com relação a isso, o único prejuízo vai ficar no povo, infelizmente.”

Operação

Ao todo, estão sendo cumpridos 29 mandados de busca e apreensão no âmbito do procedimento, presidido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Além de São Paulo, as ordens judiciais estão sendo cumpridas no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, no Mato Grosso, no Paraná e em Santa Catarina.

O deputado

Douglas Garcia Santos é vice-presidente do movimento conservador Direita São Paulo. Foi eleito deputado estadual por São Paulo com 74.351 votos.

Na Casa, se posicionou contra a Lei de Migração, a favor do desarmamento da população e do Escola Sem Partido, movimento que diz representar pais e estudantes contrários ao que chamam de “doutrinação ideológica” nas salas de aula brasileiras.

Durante o mandato, já foi alvo de denúncia por quebra de decoro e incitação ao ódio por ter dito em sessão plenária que tiraria a tapas um transexual caso o encontrasse no banheiro. A declaração foi feita após discurso da deputada estadual do PSOL Erica Malunguinho, primeira transexual eleita para ocupar uma cadeira na Alesp.

Na ocasião, Erica Malunguinho criticava um projeto de lei do deputado Altair Morais (PRB-SP) que “estabelece o sexo biológico como o único critério para definição do gênero de competidores em partidas esportivas oficiais no estado”.

Fonte: G1.

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