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Pai teria ameaçado ex-mulher antes de matar filhas sufocadas em SP

Breno de Souza Castro chegou a dizer à mãe das crianças que aquela seria a última vez que ela veria as meninas; crianças de 3 e 5 anos foram encontradas mortas dentro de veículo

Pai teria ameaçado ex-mulher antes de matar filhas sufocadas em SP
Breno de Souza Castro chegou a dizer à mãe das crianças que aquela seria a última vez que ela veria as meninas; crianças de 3 e 5 anos foram encontradas mortas dentro de veículo.

Momento em que homem abandona o carro

O homem preso após confessar ter matado as duas filhas, de 3 e 5 anos, encontradas dentro de um carro na zona sul de São Paulo na madrugada deste domingo (9), já havia ameaçado a ex-companheira e as próprias filhas antes do crime.

Segundo o boletim de ocorrência, Breno de Souza Castro, de 24 anos, chegou a dizer que aquela seria “a última vez” que a mãe das crianças, de 20 anos, veria as meninas.

Breno foi preso em flagrante após procurar uma delegacia e confessar que havia asfixiado as filhas. As meninas foram localizadas sem vida dentro de um Renault Clio, na Cidade Dutra. Segundo a polícia, o crime teria sido cometido com o objetivo de provocar sofrimento e punir a ex-companheira, prática conhecida como vicaricídio.

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Imagens obtidas pela CNN Brasil mostram o momento em que o suspeito abandona o carro em que as crianças foram encontradas.

Ele abre o porta malas e pega uma camiseta e uma blusa, se veste e fecha o veículo.

Histórico de perseguição após a separação

A mãe das crianças relatou à polícia que manteve um relacionamento com Breno por cerca de oito anos. Os dois estavam separados havia aproximadamente cinco meses, após episódios de agressão física e traições por parte dele.

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De acordo com o relato dela, Breno não teria aceitado o fim do relacionamento e passou a perseguir e ameaçar a mulher.

Para evitar encontros entre os dois, as filhas eram entregues à avó paterna em um ponto intermediário quando iam passar o fim de semana com a família do pai.

Ameaças a ex-companheira

Na tarde de sábado (8), a jovem publicou uma foto com amigas em uma rede social. Segundo o boletim, Breno enviou uma mensagem logo depois e afirmou que aquela seria a última vez que ela veria as filhas e que ela iria ver o que iria acontecer.

Por volta das 15h30, Breno deixou a residência com as duas meninas. Ele disse que levaria as filhas para um passeio ao Museu do Ipiranga.

As crianças, porém, não retornaram no horário esperado. Por volta das 18h, a irmã de Breno passou a questioná-lo por mensagens. Segundo o registro policial, ele afirmou que ninguém mais veria as crianças.

A família comunicou a mãe das meninas, que passou a noite procurando o ex-companheiro em locais que ele costumava frequentar. A Polícia Militar também foi acionada.

Pai confessou o crime em delegacia.

Na manhã de domingo, por volta das 6h, Breno compareceu ao plantão do 48º Distrito Policial, na Cidade Dutra. Conforme o boletim, ele apresentava sinais de embriaguez e confessou ter sufocado as duas filhas.

O homem informou aos policiais que os corpos estavam dentro de seu carro. Uma equipe foi até a rua Luiz Supertti e encontrou o Renault Clio prata estacionado.

Como o veículo estava trancado e Breno não possuía as chaves, os policiais quebraram o vidro traseiro do lado do passageiro. As duas crianças foram encontradas dentro do automóvel.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado e confirmou a morte das meninas no local.

Enquadramento por vicaricídio
O boletim de ocorrência aponta que a conduta atribuída a Breno se enquadra, em tese, no crime de vicaricídio, previsto no artigo 121-B do Código Penal.

A tipificação foi criada pela Lei nº 15.384, de 9 de abril de 2026, e prevê punição para casos em que o autor mata descendentes sob os cuidados da ex-companheira com a intenção de provocar sofrimento ou puni-la, dentro de um contexto de violência doméstica.

Segundo o boletim, a aplicação da nova legislação ainda não estaria disponível no sistema informatizado da Polícia Judiciária de São Paulo. Por isso, a ocorrência foi registrada formalmente como homicídio qualificado, com diferentes circunstâncias agravantes.

Entre elas estão motivo fútil, emprego de asfixia ou meio cruel, recurso que teria dificultado a defesa das vítimas e o fato de o crime ter sido cometido contra menores de 14 anos.

A ocorrência também foi registrada no contexto da violência doméstica prevista pela Lei Maria da Penha.

Polícia pede prisão preventiva
Após a prisão em flagrante, a autoridade policial representou pela conversão da medida em prisão preventiva.

Segundo o boletim, a solicitação considera a gravidade do crime, a periculosidade atribuída ao investigado e o risco à integridade física e psicológica da vítima.

O documento aponta ainda a necessidade de manter Breno preso para proteger a mãe das crianças e evitar novos episódios de violência.

A CNN Brasil não localizou a defesa do suspeito. O espaço segue aberto.

Fonte: CNN Brasil – Khauan Wood, da CNN Brasil, Guilherme Rajão, da CNN Brasil, em São Paulo

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