Homenagem

Nossa homenagem à todas mulheres

Antes de ser chamado pelo nome que o mundo conhece, você foi guardado no escuro morno do ventre de uma mulher. Antes que alguém visse o seu rosto, ela já o carregava em segredo, dividindo o corpo, o sono, a fome, os medos e a esperança com uma vida que ainda nem sabia pedir. Antes da primeira palavra, você aprendeu o som mais antigo de todos: o compasso do coração dela trabalhando por dois.

Você não começou do lado de fora. Começou dentro de alguém.

Essa lembrança, por si só, já deveria mudar a forma como muita gente olha para uma mulher. Não por educação superficial, não por convenção bonita, mas por uma verdade simples e imensa: houve um corpo feminino abrindo espaço para que a sua história pudesse existir. Houve uma mulher servindo de abrigo, de passagem, de início. Houve calor, entrega, risco, espera, cansaço e amor antes mesmo que você pudesse reconhecer qualquer coisa.

A primeira morada foi uma mulher. O primeiro limite do mundo foi o contorno do corpo dela. O primeiro alimento veio dela. O primeiro cuidado também. Mesmo quando a vida depois se complica, mesmo quando as histórias humanas ficam cheias de falhas, dores, ausências e desencontros, essa origem continua ali, silenciosa, irreversível, inscrita no começo de tudo.

Por isso, respeitar uma mulher deveria ser mais do que um valor aprendido. Deveria ser memória viva. Deveria nascer desse entendimento profundo de que ninguém chega ao mundo sem ter passado, primeiro, pela intimidade de um corpo feminino. Ninguém começa sozinho. Ninguém brota sem ter sido recebido.

Talvez amar mais as mulheres do mundo comece justamente aí: lembrando que toda vida, antes de ocupar espaço na rua, na casa, no trabalho, na história, coube inteira dentro de uma mulher. E quem guarda essa verdade no coração dificilmente consegue olhar para elas com dureza, descaso ou desprezo.

Desonrar uma mulher é esquecer de onde a vida veio.
Honrá-la é não perder de vista a beleza radical da própria origem.

Colaboração: Maria Marques (Maceió – AL)

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