Política

Os recados para Lula e para a oposição na primeira pesquisa Quaest do ano eleitoral

A primeira pesquisa Quaest do ano eleitoral, divulgada na quarta-feira (14), traz recados para Lula (PT) e para a oposição, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) ganhando força em cenários de 1º turno e Tarcísio de Freitas (Republicanos) mostrando ser competitivo em um eventual 2º turno contra o atual presidente.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O que a pesquisa diz para Lula?

Empate na avaliação do governo

A pesquisa mostra que a avaliação do presidente segue em empate técnico: 49% desaprovam o governo e 47% aprovam. O cenário é praticamente o mesmo desde a pesquisa de outubro, como mostra o gráfico abaixo.

Aprovação do governo Lula

Porém, quando se olha para o perfil dos eleitores, há movimentações importantes. Entre os que se declaram independentes, grupo que pode decidir a eleição, a desaprovação atingiu 53%, contra 38% de aprovação. Em outubro, o placar era de 48% a 46%.

🗳️ Lula à frente na corrida presidencial

Nas simulações para a eleição presidencial de outubro, Lula segue à frente de todos os candidatos da oposição. A Quaest testou cenários de 1º turno com mais sete nomes:

  • Flávio Bolsonaro (PL)
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos)
  • Ratinho Júnior (PSD)
  • Romeu Zema (Novo)
  • Ronaldo Caiado (União Brasil);
  • Renan Santos (Missão);
  • Aldo Rebelo (Democracia Cristã).

O presidente registra índices de intenção de voto que variam entre 35% e 40%, a depender do cenário.

Intenção de voto para presidente no 1º turno de 2026

 

  • Lula (PT): 36%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 23%
  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 9%
  • Ratinho Junior (PSD): 7%
  • Ronaldo Caiado (União Brasil): 3%
  • Romeu Zema (Novo): 2%
  • Renan Santos (Missão): 1%
  • Aldo Rebelo (DC): 1%
  • Indecisos: 7%
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 11%

No 2º turno, Lula venceria todos os adversários, com margens diferentes. A disputa contra Tarcísio seria a mais apertada: cinco pontos de diferença (44% a 39%). Em dezembro, eram 10 pontos (45% a 35%).

 

Em relação a Flávio Bolsonaro, a vantagem de Lula é de sete pontos (45% a 38%). Em dezembro, era de dez pontos (46% a 36%).

 

Veja abaixo todos os cenários:

 

  • Lula (44%) x Tarcísio (39%)
  • Lula (45%) x Flávio (38%)
  • Lula (43%) x Ratinho Jr. (36%)
  • Lula (44%) x Caiado (33%)
  • Lula (46%) x Zema (31%)
  • Lula (45%) x Aldo Rebelo (27%)
  • Lula (46%) x Renan Santos (26%)

🗳️Novo mandato

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, Lula vence em todos os cenários de intenção de voto, mas não parece empolgar a maioria da população. De acordo com a pesquisa, a maioria (56%) continua achando que Lula não merece mais um mandato. Outros 40% acham que ele merece continuar no poder.

 

O que pode favorecer Lula é a repetição de uma eleição polarizada contra a família Bolsonaro, avalia Nunes. “Se o cenário com Flávio se consolidar até abril, Lula tende a disputar contra alguém da família. A seu favor, o sentimento dos 46% que têm medo da família Bolsonaro voltar ao poder, contra 40% que temem a continuidade de Lula.”

 

O que a pesquisa diz para Flávio Bolsonaro?

 

Flávio Bolsonaro aparece em seis dos sete cenários de 1º turno da pesquisa. Em todos, está em 2º lugar, atrás de Lula. Para Felipe Nunes, o senador se consolidou nessa posição.

 

No cenário que inclui ele e Tarcísio, Lula lidera com 36%, Flávio tem 23% e Tarcísio fica com 9%.

 

O senador chega a 32% num cenário em que Lula teria 39% e Romeu Zema, 5% — sem Tarcísio, Ratinho e Caiado. É a sua pontuação mais alta.

 

Flávio lançou a sua pré-candidatura no começo de dezembro com o apoio do pai, Jair Bolsonaro, que está preso por tentar um golpe de Estado.

Direita não bolsonarista

Segundo Felipe Nunes, a pesquisa mostra que Flávio parece estar ganhando força entre os eleitores que se declaram de direita e não são bolsonaristas.

“Os dados da pesquisa sugerem que a força de arrancada que Flávio adquiriu no último mês não é só fruto do apoio de bolsonaristas, mas também da direita não bolsonarista, que começa a considerar a possibilidade de votar nele, mesmo diante de outros nomes”, diz.

“Nesse segmento, Flávio já aparece com quase 50% das intenções de voto, contra 16% de Tarcísio e 10% de Ratinho no cenário com todos os candidatos”, complementa Nunes.

54% acham que a candidatura é para valer

A pesquisa mostra também que mais pessoas acreditam que a candidatura de Flávio é para valer. Em dezembro, 49% achavam que o senador vai até o fim na corrida presidencial. Agora, são 54%.

Para 34%, o real objetivo de Flávio seria usar a candidatura para negociar. Em dezembro, eram 38%.

“Essa visão está se consolidando em quase todos os segmentos. Entre bolsonaristas, a crença de que Flávio será o candidato chegou a 83%. Na direita não bolsonarista, foi a 75%. Entre os independentes, passou para 49% e, na esquerda, são 44% que acreditam que ele vá até o fim”, diz Nunes.

Jair Bolsonaro acertou ou errou?

Aumentou o percentual de brasileiros que consideram acertada a decisão de Bolsonaro de indicar o filho como candidato. Esse índice passou de 36% para 43%.

Por outro lado, os que consideram a escolha um erro eram 54% e agora são 44%.

“Bolsonaristas já estão convencidos da decisão, e 87% dizem que foi a escolha certa”, diz o diretor da Quaest. Na direita não bolsonarista, 62% acham que o ex-presidente acertou.

“Para tornar sua campanha mais competitiva, Flávio tem o desafio de diminuir sua rejeição”, afirma Felipe Nunes. “Ele conseguiu esse feito no último mês. Enquanto a rejeição de Lula manteve-se em 54%, a rejeição ao Flávio foi de 60% para 55%.”

Apesar disso, a rejeição dele ainda é maior que as de todos os outros candidatos da oposição.

O que a pesquisa diz para Tarcísio de Freitas?

Menor diferença para Lula no 2º turno

 

A pesquisa mostra que o governador de São Paulo é o candidato mais competitivo para enfrentar Lula no segundo turno. A diferença caiu à metade entre dezembro e janeiro.

 

Em relação à pesquisa anterior, de dezembro, Lula oscilou de 45% para 44%. Tarcísio foi de 35% para 39%.

 

Considerando apenas os eleitores independentes, Tarcísio tem 36% e Lula, 34%. Na direita não bolsonarista, o governador chegou a 81%. Na pesquisa de setembro, o apoio era de 66%.

 

“O grande trunfo do governador de SP seria o apoio crescente da direita bolsonarista no cenário contra Lula. Seu desafio seria conseguir convencer os eleitores independentes e bolsonaristas a aderirem ao seu projeto presidencial, em um caso de desistência de Flávio”, avalia Felipe Nunes.

 

🔍 Nome não bolsonarista

 

O levantamento mostra que a maioria dos entrevistados (56%) acha que quem vencerá a eleição será Lula se o candidato for alguém da família Bolsonaro.

 

Por outro lado, se a disputa for entre Lula e alguém da oposição sem a família Bolsonaro, 45% acham que o presidente seria reeleito e 43% apostam no nome da oposição. É um cenário mais equilibrado.

 

Na visão do diretor da Quaest, o que pode ajudar Tarcísio e outros governadores da direita é a percepção pública de que, para ter mais chances de bater Lula, a oposição precisa lançar um nome que não seja bolsonarista.

 

“Se for uma disputa de alguém da família Bolsonaro, a população acredita que Lula vencerá com facilidade. Mas, se a oposição lançar um nome não bolsonarista, a população acredita que vai ser uma eleição mais competitiva.”

Fonte:Resenhas News.

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