Sofrimento da mãe Eunice Maria da Conceição.
“Meu Pai Trancou Minha Mãe no Porão por Anos… Mas o Que Aconteceu Depois Vai Te Chocar”
Meu pai arrumou uma amante e mantinha minha mãe trancada num porão. Eu tinha 10 anos e me lembro dela implorando pra sair.
Meu pai tinha 47 anos, minha mãe era da mesma idade. Ele conheceu a amante num bar próximo de casa, ela tinha 25 anos e era usuária de crack.
Quando minha mãe soube, quis ir embora de casa. Ele a espancou e a trancou no porão. Eu era a mais velha de cinco irmãos, o mais novo tinha um ano e meio. Ele a ameaçava o tempo todo.
Dizia que, se ela fosse embora, ele tiraria a gente dela. Então ela parou de lutar, apenas ficava quieta naquele porão gelado e escuro.
Ele a alimentava com o que sobrava da nossa comida. Uma vez peguei uma banana pra dar pra ela e acabei apanhando muito. Depois disso, ela me proibiu de fazer isso de novo, pra que eu não sofresse mais.

Eu não ia pra escola. Ele me tirou e me mantinha em casa, quase em cárcere privado. A amante tinha de tudo: roupas, comidas, passeios.
Uma vez ele a levou para o porão e teve relações com ela na frente da minha mãe. Eu escutava ele humilhando minha mãe, enquanto a amante ria alto.
Minha mãe adoeceu. Teve pneumonia. Me lembro dela queimar de febre. Eu chorava de tristeza. Não aguentava mais o sofrimento dela.
Cheguei a implorar ao meu pai. Acabei levando um chute na boca, porque estava ajoelhada implorando pra ele levar minha mãe ao médico.
Meus irmãos viviam com fome. O meu irmãozinho mais novo estava sempre com assaduras. Eu não sabia cuidar direito dele. As crianças não viam a luz do sol. A gente vivia trancado em casa.
Uma vez, a amante chegou lá com um bolo imenso de chocolate. O cheiro era maravilhoso. Ela comeu na nossa frente, ofereceu um pedaço, mas jogou no chão e fez a gente comer igual cachorro. E a gente comeu, porque estava morrendo de fome.
Guardei um pedaço na boca e desci para o porão pra dar pra minha mãe. Sei que foi nojento, mas era o único jeito dela comer algo. Ela ainda estava queimando de febre. Pinguei algumas gotas de dipirona, que era a única coisa que ele tinha deixado pra ela.
Não tínhamos parentes próximos. Os vizinhos não ligavam.
Levantei no meio da noite e fui até minha mãe escondida. Ela, com muito custo, me pediu que a ajudasse a acabar com o sofrimento. Queria que eu pegasse uma faca na cozinha. Eu já sabia o que ela queria: que eu colocasse a faca na mão dela, e ela faria o resto.
Comecei a chorar muito. Foi quando ela olhou para o canto escuro da parede e começou a chorar também. Disse que estava vendo uma senhora com um véu azul, que dizia pra ela aguentar até o amanhecer, que tudo mudaria.
Minha mãe me olhou e pediu que eu voltasse pro quarto.
Por volta de 7 da manhã, bateram na porta. Era a polícia. Alguém que passou na rua viu, pela fresta da janela, a amante do meu pai fazendo a gente comer o bolo do chão. Avisaram à polícia sobre os maus-tratos.
Eu avisei aos policiais que minha mãe estava no porão. Eles a resgataram e a levaram ao hospital.
A polícia levou os dois presos. Ficamos num abrigo até minha mãe se recuperar. E ela se recuperou rápido. Arrumou um emprego, alugou uma casa e nos criou com todo amor do mundo.
Nunca mais vimos meu pai. Só soubemos que ele faleceu da pior forma, nas mãos de outros presos. A amante ficou apenas duas noites na cadeia, se envolveu com um traficante, o traiu e foi assassinada com requintes de crueldade.
Isso aconteceu há 25 anos. Hoje moramos em Osasco. Sou médica oncologista. Minha mãe é uma jovem idosa muito feliz, faz exercícios, sai com as amigas e é muito amada por todos nós. Meus irmãos são todos formados. Três deles moram fora do Brasil, mas todos os anos vêm nos visitar e ajudam minha mãe financeiramente com tudo.

Todos nós a mimamos muito. Porque, se existe alguém que merece o mundo, esse alguém é a nossa mãe. Se o amor tem formato, esse formato se chama Dona Eunice Maria da Conceição.
Fonte: Facebook – Renato Roberto

