O guarda florestal e a loba faminta
Há pouco tempo, li a história de um guarda florestal chamado Étienne.
Todos os dias, ele oferecia alguns pedaços de carne a uma loba magra e esfomeada.
Ela aproximava-se da sua cabana, sempre atenta, mas com confiança.
Até ao dia em que deixou de vir.
Passaram dias. Depois semanas.
E, de repente, numa manhã, ela voltou a aparecer.
Mas, desta vez, não estava sozinha.
Estava acompanhada por duas crias, jovens e ferozes, que se amontoavam junto a ela.
Étienne compreendeu imediatamente:
A carne que ele pensava estar a oferecer-lhe não era para ela.
Era para as suas crias, escondidas em lugares na sombra profunda da floresta.
Ficaram ali durante algum tempo, congelados num silêncio quase sagrado.
As crias nunca saíam do lado da mãe.
E a velha loba olhava fixamente para Étienne.
Durante muito tempo. Intensamente.
Não havia nada de selvagem no seu olhar.
Era um agradecimento.
Um agradecimento silencioso e profundo, vindo do instinto mais antigo.
Não eram necessárias palavras.
Os seus olhos diziam tudo.

Depois, ela virou a cabeça.
E os três desapareceram, em direção a outras montanhas, outros caminhos, outras vidas.
Étienne ficou parado em frente à sua cabana,
o balde ainda nas suas mãos, o seu coração silencioso e os seus olhos banhados de luz.
Porque não é todos os dias que se recebe o agradecimento de uma loba por ter salvo os seus filhos.
Às vezes, os animais não se esquecem.
Melhor do que os humanos.
Esta loba não se esqueceu.
Ela não voltou apenas – ela trouxe os seus filhotes, para lhes mostrar quem lhes tinha salvo a vida.
Quem não tinha medo.
Que não os afugentou.
Que não atirou.
Mas que tinha dado.
Simplesmente.
Sem esperar.
Sem falar.
E no entanto… tanta gente esquece.
Esquecem-se até daqueles que lhes deram a vida.
Esquecem-se das mãos que os carregaram, os ombros que carregaram as suas mágoas.
Esquecem-se… porque “é tempo de seguir em frente”, porque “não há mais tempo”, porque “a vida continua”.
Mas a loba…
A loba não esqueceu.
Fonte: Facebook

