O amor não pede permissão.Ele constrói a própria casa.
“O pai dela disse: ‘Se você escolher esse homem, nunca mais volte aqui.’
Então ela construiu uma vida tão plena… que nunca precisou voltar.”
Quando Mary contou ao pai que pretendia se casar com Jake, ele bateu a xícara de chá na mesa com tanta força que até o cachorro saiu correndo.
— Se você se casar com esse homem, gritou ele,
— nunca mais vai cruzar essa porta!
Mary não chorou.
Não discutiu.
Sorriu e respondeu:
— Então acho que vou precisar comprar minhas próprias pantufas.
Os primeiros anos em Birmingham foram mais duros do que qualquer um gosta de lembrar.
Proprietários se recusavam a alugá-los, suas casas.
Alguns vizinhos agiam como se o amor entre raças fosse contagioso.
Mas Mary e Jake?
Eram teimosos — daquele tipo de amor que transforma dificuldade em humor.

Mary virou professora.
— As crianças nunca se importaram com quem eu me casei, dizia ela, sorrindo.
Jake trabalhava numa fábrica, tão incansavelmente que até as máquinas pareciam exaustas ao cair da tarde.
Pouco a pouco, a cidade foi amolecendo.
Um sorriso de cada vez.
Uma xícara de chá compartilhada de cada vez.
Uma conversa honesta de cada vez.
Antes de convidar novas pessoas para casa, Mary sempre avisava com delicadeza:
— Antes de vir jantar, preciso dizer… meu marido é negro.
Alguns nunca mais ligavam.
Outros vinham, devoravam o lendário frango assado de Jake e ficavam até tão tarde que Mary precisava praticamente expulsá-los depois da meia-noite.

Agora, setenta anos depois, eles estão sentados lado a lado na varanda — cabelos prateados, mãos marcadas pelo tempo, cadeiras de balanço iguais — rindo como jovens apaixonados.
Jake cutuca Mary e brinca:
— Acha que seu pai deixaria você entrar na casa dele agora?
Mary sorri e aperta a mão dele.
— Querido… ele é que teria sorte se eu deixasse entrar na minha.
O amor não pede permissão.
Ele constrói a própria casa.
fonte: Estudos Históricos

