História que o povo conta

Será que meu filho vê fantasmas?

A Juliana estava preocupada. O filho dela, Lucas, de apenas 3 anos, não brincava sozinho. Ele passava horas no canto da sala conversando, rindo e até dividindo o lanche com o “nada”. — “Com quem você está falando, filho?” — “Com o Zé, mamãe. O Zé é engraçado.”

Juliana sentiu um calafrio. Não conheciam nenhum Zé. Ela pensou em levar no psicólogo, pensou em levar na igreja. “Será que meu filho vê fantasmas?”, ela temia. O “Zé” parecia saber de tudo. O menino dizia coisas como: “O Zé disse que você chorava muito quando era pequena porque caiu de bicicleta azul”. Juliana gelou. Ela teve uma bicicleta azul que foi roubada quando ela tinha 7 anos. Ninguém falava disso.

Um dia, arrumando caixas antigas, Juliana achou um álbum de família empoeirado. Lucas veio correndo, colocou o dedinho gordo numa foto em preto e branco e gritou: — “Olha o Zé aí, mamãe! Ele tá com o chapéu que ele gosta!”

Juliana olhou para a foto e começou a chorar. Aquele não era um estranho. Era o Seu José, o pai dela. O avô que Lucas nunca conheceu, pois faleceu 20 anos antes do menino nascer. O avô que morreu brigado com a família, sem resolver mágoas antigas.

Lucas continuou, com a naturalidade que só as crianças têm: — “O Zé mandou avisar que já pediu desculpa pro Papai do Céu. E disse que ele vai voltar. Ele falou que vai virar meu irmãozinho pra você cuidar dele de novo.”

Juliana achou que era imaginação fértil. Duas semanas depois, ela começou a sentir enjoos. O atraso. O teste de farmácia. Positivo. Juliana estava grávida.

O “amigo imaginário” sumiu da sala. Lucas disse: “O Zé foi embora, mamãe. Ele disse que agora tem que dormir pra acordar pequeno.” Nove meses depois, nasceu o Gabriel. E a primeira vez que Juliana olhou nos olhos do bebê, ela sentiu uma paz antiga. O olhar do bebê não era de descoberta. Era de reencontro.

O avô voltou. Não para assombrar, mas para ser amado e perdoado. A reencarnação na mesma família é a maior prova da misericórdia divina. É a chance de reescrever a história, de transformar mágoas passadas em amor presente.

A lição é para todas as famílias: Ninguém cai na sua árvore genealógica por engano. Aquele filho “difícil”, aquele parente complicado… muitas vezes são reencontros marcados há séculos. O seu lar é uma escola, e os seus filhos podem ser velhos amigos (ou velhos desafetos) que voltaram para te dar a chance de amar melhor dessa vez.

Fonte: Facebook – Chico Cartas de Paz e Consolação

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