História que o povo conta

Mulher Expulsa Menino Negro do Parque

Mulher Expulsa Menino Negro do Parque, sem imaginar aonde isso a levará!
Naquela tarde, o calor parecia derreter o tempo. A luz dourada do sol escorria por entre as copas das árvores, e o ar carregava aquele silêncio calmo que só os parques sabem guardar. Em meio à sombra macia dos ipês, os passarinhos dançavam no chão, disputando migalhas com uma alegria que fazia sorrir quem passasse.

Num banco qualquer, como se fosse parte do cenário, estava um menino. Moreno, doze anos, olhos atentos. Nas mãos, um pedaço de pão. Ele não dizia nada — mas observava tudo. Era assim que ele se sentia bem. O Parque Esperança sempre fora seu esconderijo favorito em Boa Duna. Ali, ele podia apenas… existir.

Mas nem toda calmaria dura pra sempre.

Do outro lado da trilha, uma mulher apareceu. Pele clara, vestido alinhado, passos decididos. Ela andava como quem sabia que pertencia àquele lugar — ou pelo menos achava que sabia. No começo, ela sorria para o vento. Mas, ao notar o menino no banco, seu rosto mudou. Como se tivesse engolido fel.

Os passos desaceleraram. O olhar, que antes dançava com a brisa, se fixou nele com uma rigidez amarga. E então, como uma flecha disparada, ela veio. Sem hesitar.

Parou em frente ao garoto. Inclinou-se. E começou.

As palavras saíam afiadas, com raiva contida e voz dura. O menino piscou. Confuso. Não entendia. Estava só ali… alimentando os pássaros. Mas ela não parava. Apontava para a saída do parque, para a rua, para qualquer lugar — menos ali. Como se ele fosse um invasor. Um erro.

Mas ele era de lá. Nascido e criado em Boa Duna. Sabia o nome de cada árvore daquele parque.

Mesmo assim, ninguém fez nada. Os passos ao redor diminuíram. Olhares se cruzaram. Murmúrios surgiram. Mas silêncio foi tudo o que ele recebeu. Até que — do outro lado — algo mudou.

Um policial, atento ao som da discussão, caminhou até o local. Chegou devagar, como quem avalia. Olhou o menino, olhou a mulher. E então interveio. Com calma, mas firmeza.

O clima mudou de novo.

A mulher, antes impetuosa, tentou se defender. Falava rápido, agora num tom mais agudo. Mas o policial não se dobrou. Pediu que ela ficasse. Ela se recusou. Tentou sair. Mas ali, resistir tinha um preço.

As algemas brilharam sob o sol da tarde.

Enquanto ela era levada, o menino permaneceu. Sentado. Silencioso. Os passarinhos voltaram devagar. Ele ofereceu mais um pedaço de pão. Porque era só isso que ele queria fazer.
Alimentar os pássaros.
Se você acredita que nenhuma maldição é maior do que as promessas de Deus, você é do bem, você é de Deus.

Fonte: Facebook – História da Fifi

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