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Manifestação contra pedágios na Raposo terminou com bombas de gás e acusações de truculência policial

O domingo (3) foi marcado por tensão e protestos na rodovia Raposo Tavares. Moradores e motoristas se reuniram por volta das 15h00 no Km 37, sentido capital, para manifestar contra a implantação do novo sistema de pedágio free flow. O ato, que começou pacífico e contou com famílias, crianças e idosos, terminou em cenas de repressão policial com bombas de gás lacrimogêneo e denúncias de agressões físicas por parte da Polícia Militar.

De acordo com os manifestantes, a manifestação foi motivada pelo pórtico instalado no local, que deve iniciar em breve a cobrança automática de veículos que circularem pela rodovia. Com faixas de “Metrô sim, pedágio não!” e “Pagamos IPVA pra quê?”, os participantes criticaram o impacto financeiro do novo modelo para os moradores da região, que alegam que terão de pagar para entrar e sair do próprio bairro.

Por volta das 16h50, o grupo chegou a bloquear totalmente a rodovia no sentido São Paulo. Minutos depois, equipes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia (BAEP) intervieram com bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Segundo os relatos, houve correria pelas ruas do bairro Mirante da Mata, onde policiais avançaram contra moradores, atingindo pessoas que estavam nas calçadas.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram cenas de violência policial. Em uma das gravações, publicada pelo jornalista Dudu Ferrari, um homem identificado como Aroaldo Francisco aparece sendo abordado, derrubado e arrastado por quatro policiais, mesmo sem demonstrar resistência. Até o fechamento desta edição, ele não foi localizado pela reportagem para comentar o episódio. Veja o vídeo AQUI.

O vereador Serginho também se manifestou nas redes sociais com um vídeo e uma mensagem de repúdio:

“O que era pra ser um protesto pacífico contra os pedágios abusivos na Raposo Tavares virou cena de terror. O choque entrou atirando, lançando bombas de gás e agredindo senhores de idade que estavam apenas exercendo seu direito de protestar. Isso é inaceitável!
Não podemos normalizar a violência contra o povo. A manifestação era pacífica, com famílias, trabalhadores e idosos presentes. E mesmo assim, a resposta foi brutal.”

O vice-prefeito de Cotia, Paulinho Lenha, também participou do protesto e reforçou seu apoio à população:

“Já estive presente em muitas manifestações, sempre ao lado do povo e hoje não seria diferente. Não consigo virar as costas para quem mais precisa. Não é justo cobrar pedágio de quem luta todos os dias para sobreviver. É uma cobrança que pesa, que dói, que machuca quem trabalha, quem estuda, quem busca uma vida melhor. O que queremos é simples: respeito, justiça e diálogo. Não estamos aqui para brigar, estamos aqui para ser ouvidos.”

A vereadora de Vargem Grande Paulista, Roberta Macieira, publicou em seu Instagram uma nota de repúdio à ação da Polícia Militar:

“Eu venho aqui expressar repúdio à forma como a Polícia Militar agiu diante de um ato democrático que aconteceu hoje contra a implantação dos pedágios na Raposo Tavares. A população se revoltou e com toda razão. São pais, mães, trabalhadores, moradores que dependem dessa via todos os dias e se sentem completamente desamparados. Infelizmente, mesmo com a dispersão das pessoas, a PM seguiu com violência: bombas, gás lacrimogêneo e tiros de borracha atingiram até quem nem estava participando diretamente da manifestação. Pessoas na calçada, em frente de casa, foram afetadas. Onde está o diálogo? Onde está o respeito com a população?”

Autoridades municipais se manifestam

O secretário do Desenvolvimento Social e Periferias e vereador licenciado, Silvio Cabral, também se manifestou publicamente, classificando a ação da PM como “arbitrariedade e truculência da Polícia Militar do governador Tarcísio de Freitas”.

Já a moradora Lena Marques lamentou a repressão: “O que era para ser uma manifestação pacífica virou um cenário de medo no Mirante da Mata. Cobrar para circular no próprio bairro não é justo, e reprimir trabalhadores e famílias com gás de pimenta é cruel”, disse.

Questionamentos à Secretaria de Segurança Pública

A reportagem do Jornal Tabloide enviou questionamentos à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo sobre a operação, solicitando informações sobre sobre as denúncias de uso excessivo de força.

Até o fechamento desta edição, a SSP não havia respondido aos questionamentos.

Fonte: Jornal Tabloide

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