Aluno sofre crises de vômitos na escola
Um menino de 11 anos começou a apresentar episódios de vômito quase todos os dias depois do recreio.
No início parecia algo físico.
A escola avisou a família. A família procurou o posto de saúde. Vieram exames, consultas, investigações. Nada aparecia. Nenhum problema clínico explicava o que estava acontecendo.
Mas os vômitos continuavam.
A angústia começou a crescer.
Cada novo exame trazia mais medo. E nenhuma resposta.
Até que, em um atendimento com a psicóloga da escola, surgiu uma hipótese que ninguém havia considerado.
A família daquele menino era recém-chegada ao Espírito Santo. Tinham vindo de Alagoas. Os pais estavam desempregados e passando dificuldades.
Foi então que o menino revelou algo que partiu o coração de todos.
Ele disse que se sentia mal comendo na escola…
porque ficava imaginando os pais dele em casa com fome.

O vômito não vinha do estômago.
Vinha da culpa.
Histórias como essa nos lembram de algo que muitas vezes esquecemos: a educação não acontece apenas dentro da sala de aula.
Ela é sistêmica.
A escuta da psicóloga.
A atenção da equipe escolar.
O olhar de quem percebe que algo não está bem.
Tudo isso educa.
Por isso eu repito uma frase que carrego comigo:
do porteiro ao diretor, todo mundo é educador.
Quando uma escola aprende a valorizar os saberes de todos os profissionais, inclusive daqueles que educam fora da sala de aula, ela começa a enxergar aquilo que nenhuma prova e nenhum exame conseguem revelar: a história humana por trás de cada aluno.
Prof. Fábio Flores

