Economia

Artigo: Para onde está indo o dinheiro da Prefeitura?

Muita gente não sabe, mas a prefeitura não pode gastar o quanto quiser com salário. Existe um limite. De tudo o que o município arrecada, só pode usar uma parte para pagar funcionários. Esse limite é de 54% do dinheiro que entra nos cofres da prefeitura. (Lei de Responsabilidade Fiscal – Lei Complementar nº 101/2000)

Isso significa que o dinheiro para pagar salários é limitado. Não dá para sair contratando todo mundo.

Agora imagine a seguinte situação: Um hospital da cidade está precisando de mais técnicos de enfermagem. Cada técnico ganha, por exemplo, quatro mil reais. Com doze mil reais por mês, daria para contratar três técnicos. Três pessoas atendendo pacientes, aplicando medicação, ajudando no cuidado. Mas, em vez disso, a prefeitura decide contratar um cargo de confiança ganhando doze mil reais. O dinheiro gasto é o mesmo, a diferença é que, em vez de três profissionais atendendo no hospital, é só uma pessoa ocupando um cargo indicado.

Como o limite de gastos já é apertado, quando se paga um salário alto para um cargo de confiança, sobra menos dinheiro para contratar médicos, enfermeiros, professores e outros profissionais que atendem direto a população.

E aí o que acontece? Fila maior no hospital. Menos profissionais na escola. Servidor sobrecarregado. Atendimento pior!

O problema não é dizer que todo cargo de confiança é errado, eles existem e são permitidos. O problema é quando a prioridade não é o serviço que chega ao povo. No final das contas, aquela regra dos 54% não é só um número, ela vira escolha. Ou o dinheiro vai para quem está na ponta atendendo a população. Ou vai para cargos políticos com salários altos. E quem sente a diferença é o cidadão que espera atendimento.

No fim, a discussão não é só sobre números, nem só sobre lei. É sobre PRIORIDADE. Cada vez que o dinheiro público é usado para manter um cargo alto em vez de reforçar o atendimento, alguém deixa de ser atendido mais rápido, alguém espera mais na fila, alguém recebe um serviço pior.

O cidadão muitas vezes não vê essa conta sendo feita dentro da prefeitura, mas sente o resultado quando precisa de um hospital, de uma escola ou de qualquer serviço público. O limite de 54% existe para organizar as contas. Mas dentro desse limite, as escolhas mostram o que realmente é prioridade.

E a pergunta que a população precisa fazer é simples: o dinheiro está sendo usado para melhorar o atendimento ou para beneficiar poucos? Porque, no final, cada decisão tomada lá dentro aparece aqui fora, na vida de quem depende do serviço público.

Fonte:Jornal NR

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