Poesia

Uma Obra de Arte Sem Valor

Estou cansado
Parece que eu sou bom em fazer os outros sorrirem, mas não sou bom em encontrar felicidade
Não sou maduro o suficiente, mas sou maduro demais para a minha idade
Não sou bom em deixar as coisas irem, mas sou bom em ser deixado para trás
Por mais que corra incansavelmente, ainda estou no começo da estrada
Parece que eu sou o rei das escolhas erradas.
Com as reviravoltas do tempo, eu fui jogado para fora da história
Então: é um novo começo, a primeira linha.
Eu fiquei apegado as suas memórias
E de alguma forma, esqueci as minhas
Seria engraçado, se eu morresse jovem e bonito
Mas se eu envelhecesse, você escolheria ficar ao meu lado?
Que coisa louca é a nossa mente
Amar de mais é um veneno muito eficaz
para se cometer um suicídio inconsciente.
De todas as coisas que já foram ditas, a melhor história nem se quer foi escrita
Se a morte se apaixonou pela vida, a partir daí as coisas existem,
da beleza ao desastre, o amor será sempre a mais valiosa das obras de arte
Das palavras trancafiadas em cartas seladas,
Dos contos de fadas com o ”felizes para sempre”
Ou dos amores de outra vida que nunca se encontrarão novamente.
Para as feridas que aparentemente a cura não existe,
O tempo seca as lágrimas do olhar mais triste
Para que não caia pelo amor, e nem pela dor que ele causa
A dor vira música, poesia, um quadro na parede da sua casa,
E se eu não fui o que precisava, eu lamento
Enquanto uns choram, outros vendem lenços
E se o pulsar do meu coração triste pudesse ser visto além dos olhos meus,
Talvez ele seria exposto em um museu
Uma obra de arte sem valor.

Poeta: Victor Manlifer, Cotia – SP

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

×