Minha homenagem a meu filho Fred
Recebi esse texto da minha irmã Maria Marques de Maceió-AL e achei que a mensagem cabia para meu filho Fred, que fez 3 anos que virou estrelinha no dia 25 de junho.
Te amei desde o primeiro tremor do teu focinho curioso, quando o mundo ainda era um quintal de cheiros e o sol cabia inteiro no brilho dos teus olhos. Cresci contigo na humildade de aprender o idioma das patas, essa gramática secreta feita de silêncios, de rabos que conversam, de latidos que oram. A cada manhã você me lembrava que existir é simples: beber água, sentir o vento, deitar ao lado de quem amamos e, nesse gesto, salvar o dia.

Foste meu relógio de ternura, marcando horas com o tique-taque do teu coração encostado no meu. Quando a tristeza visitava a casa, vinhas como um feixe de luz, encostavas a cabeça no meu joelho e convertias o peso do mundo em um instante respirável. Aprendi contigo que fidelidade é um templo sem paredes, que a alegria não explica, apenas acontece, e que Deus se apresenta muitas vezes coberto de pelos, movendo-se em quatro passos, sem pedir nada além de presença.

Vieram os invernos e o teu focinho prateou. Trocamos corridas por passeios lentos e o tempo começou a escrever suas cartas no teu corpo. Eu lia cada linha com delicadeza, aceitando que o amor amadurece quando desiste de possuir e escolhe acompanhar. E quando chegou a noite final, sentei-me ao teu lado e escutei tua respiração como quem ouve o mar recolher a maré. Te prometi que a distância é apenas um truque da carne e que as almas que se reconhecem não se perdem.
Hoje caminho e encontro tuas pegadas nas pequenas misericórdias do dia. Um raio de sol, a lembrança de um parque, o som de chaves que ainda espero te ver correr. Rezo e te abraço no invisível, certo de que a Vida, essa Pai maior, não apaga afetos. Ele os planta em outros campos, para que floresçam noutra manhã. Se um dia eu voltar menino e te reencontrar, que seja com o mesmo assombro do primeiro suspiro. Até lá, sigo levando comigo o que me ensinaste: amar é a única coleira que, quando se solta, nos torna realmente livres.
Colaboração: Maria Marques de Maceió -AL

