Carapicuíba/CotiaEducação

Encontro na Escola Antonieta Di Láscio Ozeki da URE de Carapicuíba Resgata Ex-Alunos para serem mentores na Disciplina de Projeto de Vida.

Era uma tarde típica de inverno na periferia da cidade de Cotia, o grupo de alunos sentados em suas carteiras vidraram os olhares em um ppt exposto na televisão, à frente uma jovem aparentando pouco mais de 20 anos, vestida como uma empresária, gesticulava e falava sorridente. No silêncio das interrogações e a cada palavra explicativa surgiam dúvidas juvenis que não foram sanadas, nem dava, dado o volume de informações a serem esclarecidas. Esta cena aconteceria muitas vezes mais na aula de Projeto de Vida na Escola Estadual Antonieta Di Láscio Ozeki, uma das escolas do Programa de Ensino Integral – PEI – vinculada a URE de Carapicuíba (Antiga Diretoria de Ensino). Assim ex-alunos egressos desta unidade escolar retornaram à instituição onde construíram suas bases acadêmicas para compartilhar vivências, conquistas e, sobretudo, sonhos realizados. A iniciativa não tem um nome pomposo de projetos elaborados escritos com objetivo, métodos, estratégias e didáticas aprovados pelos barões da educação, ela é só uma prática diária de aula no bom e velho estilo expositivo, aquela estratégia que visa um aprendizado que funciona quando o aluno está interessado e o palestrante tem o que dizer e mostrar. “Quanto você ganha?”, perguntou um aluno diante de uma obviedade milenar não entendida ainda pelos discentes.
O objetivo é claro: mostrar aos atuais estudantes que o futuro é construído com escolhas conscientes no presente, e que cada trajetória, por mais desafiadora, é moldada por coragem, dedicação e orientação.


Foram várias palestras com os ex-alunos convidados, Luana Teixeira Correia; Fernanda Sabino; Ana Carolina Gomes Cruz; Lucas Gabriel Delesposte Fiuza Cardoso; Marlom Raul dos Santos Romero; Thamires Barbosa Rodrigues; Maria Karoline Silva da Costa; Jamilson Nunes Pereira e Erik de Moura Pereira. Todos outrora alunos desta escola e agora homens e mulheres de valor social e individual nas áreas de, Tecnologia; Direito; Empreendedorismo; Fisioterapia; Engenharia de Software; Relações Públicas; Secretariado e Psicologia.


Eles compartilharam suas experiências de ingresso no ensino superior, inserção no mercado de trabalho e construção de identidade profissional em suas áreas.


Mais do que falar de conquistas, abordaram dilemas enfrentados na juventude, como a escolha da carreira, pressão social, autoconhecimento, falta de recursos e insegurança emocional, e, é claro, quem paga melhor — temas que ecoam nos corredores de todas as escolas públicas do Brasil.


Dados recentes do IBGE (2025) revelam que cerca de 25% dos jovens de 18 a 24 anos da Região Metropolitana de São Paulo não estudam nem trabalham — um índice alarmante, especialmente em regiões periféricas como Cotia. Ainda segundo o IPEA, jovens de baixa renda encontram maior dificuldade de inserção no mercado formal, sobretudo sem formação técnica ou universitária.
Neste cenário, iniciativas como está de retorno e mentoria de ex-alunos se tornam essenciais. Não apenas aproximam o mundo do trabalho da escola, mas também empoderam os estudantes com exemplos reais, próximos e palpáveis de superação e sucesso.


A proposta dialoga diretamente com o componente curricular Projeto de Vida, adotado nas escolas de Ensino Integral (PEI). Ao trazer para o centro da sala de aula a figura do ex-aluno como mentor, a escola se afirma como um espaço não apenas de formação acadêmica, mas de orientação e sentido existencial.
A Vice-Diretora Edna Braga, gestora à frente da ação, reforça:


“Não é apenas uma palestra. É uma ponte entre o que eles são hoje e o que podem ser amanhã. Nossos jovens precisam se ver como protagonistas.”
O encontro também fortaleceu o sentimento de pertencimento e valorização da educação pública, provando que a escola pode — e deve — ser um espaço de reencontros, de memória viva e de construção contínua da cidadania.


Ver ex-alunos retornando como exemplos vivos de conquistas é um ato de resistência e inspiração. Em tempos de desafios e desigualdades sociais profundas, a escola pública se mantém como a primeira e, em muitos casos, única trincheira de transformação real. E é ali, na sala de aula, no afeto dos educadores e na partilha entre gerações, que a semente do futuro encontra solo fértil.
Dito isso! Caro leitor, cara leitora! Aqui vai uma provocação! “Você já pensou em voltar na sua escola de origem para dizer aos novos “você” como poderá ser o “seu” novo futuro? Porque é disso que se trata, se é que me entende?”

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