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Weintraub sofre revés no Congresso mesmo com aproximação do centrão

Com a devolução hoje pelo Congresso Nacional da Medida Provisória que lhe dá autonomia para escolher reitores temporários, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, sofreu mais um revés no Parlamento mesmo com a aproximação do governo Jair Bolsonaro com o centrão, grupo informal de partidos com os quais o presidente negocia apoio em troca de cargos na administração pública. O mal-estar entre Weintraub e os parlamentares, que se estende ao longo dos últimos meses, agravou-se com a revelação de falas inflamadas do ministro em reunião ministerial de 22 de abril, consideradas muito ideológicas pela maioria dos deputados e senadores. Agora, atinge um novo pico com clara demonstração de que nem o centrão está disposto a apoiar ou assegurar as medidas do ministro.

Integrantes do centrão não procuraram defender a “MP dos reitores” ou o ministro em público. E também não agiram nos bastidores para impedir a devolução do texto ao Planalto. O ato é considerado drástico até mesmo em razão do perfil de Alcolumbre, geralmente mais conciliador, evitando embates públicos com o Planalto. Em geral, quando o Congresso não concorda com uma Medida Provisória, os parlamentares deixam o texto tramitar sem analisá-lo, fazendo com que perca a validade.

A tática foi adotada em duas derrotas impostas a Weintraub pelo Congresso. A primeira em relação a uma Medida Provisória que criava a carteira de identificação de estudante gratuita em formato digital, em fevereiro. A segunda em relação a outra MP que também mudava a escolha de reitores em instituições federais, em junho. Embora com tema semelhante à MP devolvida, a que venceu em junho era tida como menos radical ao alterar o peso de votos de professores, alunos e servidores efetivos na composição da lista tríplice para a escolha do reitor, sem permitir uma nomeação direta sem consulta prévia.

Sob reserva, um líder no Senado afirmou que a devolução estava sendo pedida a Alcolumbre desde quarta (10) pela maioria das lideranças partidárias na Casa e reforçou a imagem ruim de Weintraub dentro do Parlamento. “Seria inevitável a derrubada [da MP no Congresso]. Seria um desgaste maior para o ministro. Há uma resistência muito forte a ele. Ele não tem apoio, a não ser da extrema-direita. Os demais senadores e deputados não aceitam esse comportamento. Isso é visível, não há boa vontade”, disse.

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