Barueri

Barueri orienta moradores sobre como agir diante da presença de animais silvestres em áreas urbanas

Após o registro de uma onça-parda (suçuarana) na Aldeia da Serra, a Prefeitura de Barueri reforçou as orientações sobre como a população deve agir diante da presença de animais silvestres em áreas urbanas. O felino foi avistado na madrugada do dia 8 de julho, nas proximidades do Lago Orion, localizado na Avenida Aquário, na Aldeia da Serra.

A imagem do animal foi registrada pela Central de Monitoramento da Aldeia da Serra. A suspeita é de que a onça-parda tenha migrado de um remanescente de mata nativa pertencente a uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), alcançando áreas residenciais próximas à vegetação — situação considerada natural em locais onde há contato entre a área urbana e ambientes de preservação.

Na manhã do dia 15 de julho, moradores participaram de uma reunião com representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), por meio do Departamento de Gestão da Fauna Silvestre (DeFau), e da Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente de Barueri (Sema), representada pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Durante o encontro, foram discutidas medidas para garantir a segurança dos moradores sem comprometer a preservação das espécies que vivem nos remanescentes de mata da região.

Técnicos do DeFau e do Cetas esclareceram dúvidas e apresentaram orientações sobre o comportamento da fauna silvestre. A gerente-geral da Sociedade das Moradas de Aldeia da Serra (SMAS), Fernanda Zacari Braga, explicou que a suçuarana possui hábitos predominantemente noturnos. “Ela costuma circular principalmente durante a madrugada. O ideal é evitar caminhar por essas áreas nesse horário para não haver contato com o animal. Ela prefere ambientes tranquilos e tende a esperar a calmaria para se deslocar”, afirmou.

Fernanda também orientou que, caso algum morador encontre o animal, mantenha distância e evite qualquer tipo de interação. “Se alguém encontrar a suçuarana parada em algum local, o mais importante é não se aproximar. Como ela circula principalmente à noite, recomendamos evitar esse período para reduzir qualquer risco.”

Saiba mais

As técnicas do DeFau, Milena Joice Bressan e Silvana Back Franco, alertaram para os riscos da interação entre pessoas e animais silvestres, especialmente em relação às zoonoses — doenças transmitidas entre animais e seres humanos. “Também é importante evitar alimentar animais silvestres, como macacos e saguis. Embora pareçam dóceis, esse hábito pode ser perigoso. Uma simples banana oferecida por uma pessoa pode transmitir vírus, como o herpes, que pode ser fatal para esses animais. Da mesma forma, mordidas e arranhões podem transmitir doenças aos seres humanos, como a raiva”, explicaram.

As especialistas também chamaram a atenção para o tráfico de animais silvestres e os prejuízos causados pela captura ilegal. “Infelizmente, muitas pessoas veem esses animais em filmes ou nas redes sociais, acham bonitos e desejam tê-los como animais de estimação. Como são difíceis de encontrar legalmente, acabam alimentando o tráfico de animais silvestres.”

Segundo elas, animais retirados da natureza mantêm seus comportamentos naturais e não são domesticados como cães e gatos. “Primatas comercializados ilegalmente, por exemplo, muitas vezes são submetidos à castração e a outros processos para reduzir comportamentos naturais, como a agressividade. Isso causa impactos significativos ao bem-estar dos animais.”

Esclarecimentos à população

Importante ressaltar que, além da vistoria técnica conjunta realizada pelo Cetas e pela Semil, uma base móvel de educação ambiental do Cetas ficará instalada na Aldeia da Serra por alguns dias. No local, uma bióloga da equipe estará à disposição para esclarecer dúvidas da população.

A Sema também está agendando reuniões com as administrações das associações dos residenciais da Aldeia da Serra para orientar os moradores, esclarecer dúvidas, explicar o manejo adequado da fauna silvestre e tratar de outras questões relacionadas ao tema.

Orientações para evitar situações de risco

Entre as principais recomendações apresentadas pelos especialistas estão:

  • Não entrar em pânico. O avistamento desses animais é raro e não há registros de ataques de onças-pardas a seres humanos no Estado de São Paulo.
  • Permitir que o animal retorne espontaneamente à área de mata.
  • Evitar que crianças circulem sozinhas próximo às áreas de vegetação, especialmente durante a noite.
  • Manter cães e gatos de pequeno porte em locais seguros no período noturno.
  • Não tentar chamar a atenção, perseguir, encurralar, fotografar de perto ou alimentar o animal.
  • Ao caminhar por vias próximas à mata, utilizar um apito pode ajudar a afastar o animal antes de um eventual encontro.
  • Caso um animal silvestre entre na residência, manter uma rota de saída aberta para o ambiente externo, fechando os demais cômodos para facilitar sua saída espontânea.
  • Se o animal estiver ferido ou debilitado, acionar imediatamente a Guarda Ambiental de Barueri ou o Cetas.
  • Em caso de filhotes, não recolhê-los. O recomendado é aguardar o retorno da mãe. Se isso não ocorrer, os órgãos ambientais devem ser acionados.
  • Não deixar ração de animais domésticos exposta em áreas externas.
  • Fechar frestas em telhados, forros e outras estruturas que possam servir de abrigo para animais silvestres.
  • Nunca correr diante do animal.
  • Caso ocorra um encontro próximo, mantenha a calma e procure aparentar maior tamanho, levantando os braços lentamente.

Como ajudar os órgãos ambientais

Antes de entrar em contato com os órgãos responsáveis, desde que isso possa ser feito com segurança, recomenda-se:

  • Registrar fotos ou vídeos do animal, mantendo distância segura.
  • Informar a data, o horário, o local exato e as características observadas durante o avistamento.

Contatos

Guarda Ambiental de Barueri

Telefone: (11) 4199-1400

Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas)

(11) 4689-0314 (WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h)

(11) 3164-1040

Fonte: Portal Barueri

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