História Real

Caso Lucas Terra: Ele tinha 14 anos quando foi queimado vivo por Pastores da Igreja Universal

Lucas Vargas Terra era um adolescente de 14 anos profundamente religioso e descrito como bastante participativo e ativo nas atividades da Igreja Universal do Reino de Deus em Salvador, Bahia.

Lá, ele conheceu o pastor-auxiliar Silvio Galiza, de 21 anos, que havia sido transferido para aquela igreja por “comportamento inadequado”.
Galiza aproximou-se de Lucas de forma possessiva, nomeando-o para um cargo inexistente de “auxiliar de pastor” apenas para mantê-lo sob controle.
O pastor demonstrava ciúmes e tentava afastar Lucas de qualquer círculo social, inclusive proibindo ele de se aproximar de uma namorada.

Galiza inclusive já havia levado Lucas e outros meninos para dormir na igreja após o culto, tendo colocado apenas Lucas em seu quarto.
Depois que superiores descobriram esse comportamento, Galiza foi transferido para uma outra igreja, entretanto, ele permanecia participando dos cultos daquele local.
Os pais de Lucas, Marion e Carlos Terra não tinham conhecimento sobre as atitudes suspeitas de Galiza.

Até que no dia 12 de março de 2001, Lucas conversava com amigos após o culto quando Galiza apareceu e o chamou para uma suposta noite de orações em outra igreja.

Como já era tarde da noite, Lucas ligou para o pai de um orelhão, confirmando que estava com o pastor e que dormiria na igreja mas voltaria para casa na manhã seguinte.

Entretanto, Lucas nunca mais voltou.
Ao ser confrontado por Carlos no dia seguinte, Galiza alegou que o havia deixado no ponto de ônibus.
Entretanto, sempre que ele era questionado novamente, acabava mudando a versão.

Foi então que no dia 23 de março, um corpo foi encontrado carbonizado dentro de um caixote em um terreno baldio.
Após exames de DNA, confirmou que infelizmente era de Lucas Terra.

A perícia indicou que ele foi queimado vivo, pois havia sinais de tentativa de asfixia (um tecido na boca).
O estado do corpo impediu a confirmação técnica de abuso sexual, embora houvesse fortes suspeitas.

Junto ao corpo haviam tecidos que eram pertencentes a igreja que frequentava.
A investigação durou 7 meses e apontou Silvio Galiza como o autor.
Carlos Terra, o pai de Lucas, teve que lutar bravamente contra a lentidão do sistema e a suposta influência da igreja, chegando a acampar em frente ao Ministério Público e a denunciar o caso à ONU.
Durante o andamento do processo, Silvio Galiza denunciou a participação de outros dois pastores no crime: Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva.

De acordo com o depoimento de Galiza, o adolescente teria sido assassinado após presenciar os religiosos mantendo relações sexuais.
Galiza afirmou ainda que foi acionado pela dupla apenas para auxiliar na ocultação do cadáver.
Silvio Galiza foi o primeiro a ser sentenciado, recebendo, em 2004, uma pena inicial de 23 anos, posteriormente reduzida para 15 anos.
Ele progrediu para o regime semiaberto em 2008 e obteve a liberdade definitiva em 2012.

Já os pastores Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva foram condenados apenas em 2023, com penas fixadas em 21 e 27 anos de reclusão, respectivamente.
Embora tenham recebido o direito de recorrer em liberdade, a Justiça reafirmou a manutenção das prisões neste ano de 2026.
No entanto, os mandados ainda não foram cumpridos e ambos permanecem em liberdade.
Em uma busca incansável por justiça, Carlos Terra, pai de Lucas, chegou a cursar Direito para compreender o processo que envolvia o filho.
Infelizmente, Carlos faleceu em 2019, sem ver o desfecho final contra os demais envolvidos.

Carlos Terra escreveu o livro ‘Lucas Terra – Traído pela Obediência’.
Marion Terra, mãe de Lucas, luta até hoje incansavelmente por justiça.

Fonte: Facebook – casosreais crimesreais

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