Os animais vêem o que a nossa descrença esconde
O Cão Que Passou 17 Dias No Cemitério Olhando Para O “Nada”. Quando Descobri O Que Ele Estava Vendo, Meu Sangue Gelou E Meu Coração Se Partiu. 🐕🪦
Tudo começou quando o zelador do Cemitério de Santo Amaro me chamou no fim de um velório. — “Ei, moço. Você viu aquele cachorro ali, perto da lápide do fundo?”
Eu vi. Um vira-lata magro, imóvel, deitado em cima de uma pedra fria. Mas ele não estava dormindo. Os olhos dele estavam fixos num ponto vazio acima do túmulo. Ele abanava o rabo devagar, ritmado, e às vezes dava lambidas no ar, como se estivesse beijando a mão de alguém invisível.
O zelador sussurrou, fazendo o sinal da cruz: — “A dona dele foi enterrada aí semana passada. Infarto. Desde então, ele não sai. O coveiro tenta tirar, ele rosna. A florista tentou levar, ele fugiu. Mas o mais estranho não é isso…” — “O que é?” — perguntei. — “Ele late e brinca sozinho. Como se ela ainda estivesse ali sentada.”
Voltei para casa impressionado. Durante 17 dias, voltei lá. Levei água, ração. Ele comia rápido e voltava para sua posição de sentinela. Ele não estava de luto. Ele estava em vigília. Ele parecia esperar algo.

No 17º dia, cheguei no cemitério ao entardecer. O clima estava pesado, uma neblina baixa cobria as covas. O cachorro estava lá. Mas dessa vez, ele estava agitado. Ele gania, pulava e olhava para o alto. Foi quando eu senti. Um frio repentino, que não vinha do vento, mas de dentro da terra. Os pelos do meu braço arrepiaram. Olhei para o túmulo e, por uma fração de segundo, a neblina tomou forma. Eu vi a silhueta translúcida de uma senhora idosa. Ela sorria. Ela se abaixou, beijou o focinho do cachorro e apontou… para mim.
Eu ouvi, não com os ouvidos, mas na mente: — “Obrigada por cuidar dele. Agora eu posso subir. Leva ele pra você.”
O cachorro deu um latido feliz, um “au-au” de despedida, e a silhueta se desfez em luz. Pela primeira vez em 17 dias, ele parou de olhar para o túmulo. Ele virou as costas para a lápide, caminhou até mim, encostou a cabeça na minha perna e suspirou. A missão dele tinha acabado. Ele esperou a dona fazer a passagem completa.
Levei ele para casa. Dei o nome de Saudade. Hoje, ele é calmo, silencioso. Mas o sobrenatural não acabou. Toda sexta-feira, exatamente às 18h00 (hora do enterro da antiga dona), o Saudade vai para o portão. Ele não olha para a rua. Ele olha para o canto da sala, onde fica a poltrona vazia. Ele abana o rabo, dá aquela lambida no ar e solta um uivo baixo, triste e bonito.
Eu não sinto medo. Eu sento do lado dele e fico ali. Porque eu sei que ele não está uivando para o nada. Ele está recebendo a visita semanal de quem nunca deixou de amar.
Os animais vêem o que a nossa descrença esconde. Eles são as pontes entre o nosso mundo e o lado de lá. Se você vir um cão olhando fixamente para o “vazio”, respeite. Ele pode estar vendo um anjo que você chama de “saudade”.
Fonte: Facebook – Chico: Cartas de Paz e Consolação

