Religião

“Não deixe cair a profecia.”

Dom Helder Camara

Quando Dom Helder entregou ao irmão Marcelo Barros o seu último desejo, “Não deixe cair a profecia”, ele não estava proferindo uma frase de despedida, mas entregando um fardo de luz. Ele sabia que a profecia é frágil; se ninguém a segura, ela se estraçalha no chão da conveniência e do silêncio.

Hoje, esse testamento respira no asfalto quente através do Padre Júlio Lancellotti.

Padre Júlio é o eco vivo do pedido de Dom Helder porque prova que a santidade hoje não cheira a incenso, mas a povo e a rua. Se a profecia incomoda o poder, a estética urbana e a “gente de bem”, é porque ela está cumprindo o seu papel. Enquanto houver pessoas em situação de rua e um padre com o pão nas mãos, o testamento de Dom Helder estará sendo cumprido: a profecia continua de pé, perturbando o sono de quem finge não ver.

A profecia que Dom Helder pediu para não deixar cair é exatamente essa: a coragem de ser a voz de quem foi silenciado, de lutar contra a aporofobia e de manter acesa a esperança mesmo quando a indiferença parece vencer. No olhar de Padre Júlio para o povo da rua, a súplica final de Dom Helder encontra o seu “sim” mais autêntico, provando que a profecia permanece viva e operante enquanto houver mãos dispostas a sustentar a dignidade humana.

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