Ele não vai voltar
Sabe quando um vazio aperta tanto que parece que o coração vai explodir?
Em um, num cantinho qualquer da grande São Paulo, tem um cachorro caramelo já velhinho, do tipo super “gente boa”, que vive isso todo dia. Mas esse que me refiro chamam ele de Max, mas ninguém sabe seu nome verdadeiro. Ele tá lá, firme, na frente de um portão fechado, com os olhos grudados na porta, como se ela pudesse abrir a qualquer hora. E ao lado dele? Um par de sapatos velhos, alinhadinhos, como se fossem um tesouro.
Você já viu um amor tão grande que desafia até o tempo?
Max não brinca com os sapatos, não os morde. Ele cuida. Dorme em cima, lambe com carinho, e, se alguém chega perto, solta um rosnadinho baixo:
“É do meu dono, não mexe!”
Ninguém sabe ao certo quando ele começou essa vigília. Só sabem que apareceu, magro, sujo, tremendo de frio, com os sapatos no focinho.
Deitou na calçada e nunca mais saiu. Por quê? Porque aqueles sapatos eram de Seu Efraín, o sapateiro que dividia a vida com Max no seu pequeno ateliê.
Durante anos, era assim: Seu Efraín consertando solas, Max dormindo aos pés dele. Até que um dia o portão não abriu. Seu Efraín ficou doente, foi internado e nunca voltou. Max não entendia. Só viu a porta trancada e, dias depois, achou os sapatos do dono jogados no lixo. Pegou com cuidado e levou pro lugar onde tudo fazia sentido. Desde então, é lá que ele espera, com os sapatos do lado, como quem guarda um pedaço do coração do amigo.

Os vizinhos tentam ajudar. Trazem comida, água. Um taxista fez uma casinha de papelão pra proteger do frio. Um menino trouxe uma manta. Mas Max não arreda o pé. Não quer outro lar, outro dono. Ele tem uma missão: esperar. Mesmo com chuva, com trovão, ele fica. E quando alguém pergunta por que um cachorro cuida de sapatos velhos, a resposta corta a alma: “Porque tem amor que não entende de despedida. Só sabe esperar.”
Max virou lenda em Puebla. Ele não conhece relógio, luto ou fim. Só sabe que Seu Efraín era sua família. E ele espera. Por se acaso. Por se o amor voltar. E você, já amou tanto assim, a ponto de esperar contra todas as chances? Ou será que Max te ensina que amor de verdade nunca desiste?
Fonte: Facebook – Chico Cartas de Consolação

