História Real

O amor… não acaba. Ele só muda de lugar.”

O dia amanhecia cinzento quando Clara, 28 anos, abriu a pequena floricultura na esquina da rua principal. Ela cuidava das flores como quem cuida da própria alma — com delicadeza, amor e silêncio.

Às 8h05, a porta se abriu. Um senhor de cabelos brancos, roupas simples e olhos marejados entrou segurando um papel meio amassado. Aproximou-se do balcão, um pouco hesitante, e perguntou:
— “Você faz buquês sob encomenda?”
— “Faço, sim. É pra presente?” — respondeu Clara, sorrindo.
Ele respirou fundo, estendeu o papel e disse:
— “É… é pra minha esposa. Ela… ela faria 50 anos de casada comigo hoje.”

Clara olhou discretamente para o papel. Nele, estava desenhado, com traços tremidos, um buquê de rosas brancas com margaridas, rodeado por um laço azul. No canto, uma anotação rabiscada: “Foi o que ela segurava no dia do nosso casamento.”

O senhor baixou os olhos.
— “Eu prometi a ela… que todo aniversário de casamento daria o mesmo buquê daquele dia. E cumpri… por 49 anos. Só que… esse ano ela não está mais aqui…” — a voz falhou.
Clara engoliu em seco, segurando o choro.
Ele completou, olhando as mãos trêmulas:
— “Mas promessa é promessa. Mesmo que ela não possa pegar, eu vou levar… e deixar lá… onde ela descansa.”

Naquele momento, Clara percebeu que nem toda flor é só beleza. Algumas carregam amor, memória e eternidade.

Ela preparou o buquê mais bonito que já tinha feito. Colocou as flores com tanto cuidado, como se arrumasse pedaços de uma história que o tempo não conseguiu apagar.

Quando entregou, o senhor segurou o buquê como quem abraça uma vida inteira. Olhou para Clara e, antes de sair, disse baixinho:
— “O amor… não acaba. Ele só muda de lugar.”

E, enquanto o velho se afastava pela rua, Clara entendeu que, naquele dia, ela não tinha apenas vendido flores. Tinha ajudado alguém a regar um amor que nem o tempo, nem a ausência, foram capazes de fazer murchar.

Fonte: Facebook – Denise Galvão

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